Fluteblog
papo tricolor:

Sábado, Outubro 28, 2006


NOSSOS ÍDOLOS JÁ
NÃO SÃO OS MESMOS

Amigos, não sei se estou com aquele velho papo de torcedor quando sai derrotado, ou então é a ressaca de uma semana ruim, onde perdi minha carteira com 140 reais e todos os meus documentos, mas a verdade é que descobri que estou cansado de futebol.
É isso mesmo. CANSEI DO VELHO E BOM ESPORTE BRETÃO (esporte bretão... sempre sonhei em usar este termo em algum lugar).
Cheguei a essa conclusão durante essa semana. Primeiro, no jogo contra o Juventude, onde não esbocei nenhuma reação no gol do Fluminense (minha mãe até perguntou se eu estava bem), e muito menos no gol do Juventude. Tudo bem que eu quase quebrei a casa toda depois que o Lenny, a mais nova versão do Roni, perdeu aquele gol de forma patética, mas considero esse ato como meu último suspiro.
Depois veio o jogo contra o Grêmio. Confesso que até tive vontade de ir ao estádio, mesmo sabendo que a partida seria em Volta Redonda, mas a vontade foi passando, passando, passando... e passou. Graças a Deus. E foi aí que comecei a ficar preocupado. Essa vontade só passou quando soube que o jogo seria televisionado. Como assim? Trocar o estádio pela televisão? Isso sempre foi inadmissível para mim. Esse não é papel de um torcedor de verdade.
Ainda tentei me enganar. Coloquei a culpa na minha falta de sorte do dia anterior, pois eu não poderia viajar sem documentos. Vai que acontece alguma coisa na estrada? Nunca se sabe. Além do mais, também perdi uma grana considerável, né? E o dogão do intervalo? Tudo desculpa. Não quis ir ao jogo e pronto! E digo mais: nunca faltei a tantos jogos do Fluminense, como neste ano. Larguei de mão mesmo.
E acabou que o jogo nem passou na tv. E nem isso me incomodou. Fiquei acompanhando Internacional e Juventude, como se estivesse assistindo um filminho água-com-açúcar, na Sessão da Tarde. Se aparecesse a bolinha anunciando o gol do Fluminense, ótimo. E foi assim que acompanhei a nossa mais nova derrota.
Fui dormir mais chateado do que já estava. Fiquei pensando na minha carreira de torcedor, tudo o que já passei, tanto de alegrias como de tristezas, e o motivo de estar tão desinteressado por futebol. Será que é apenas a má fase do time? Não pode ser, afinal de contas eu fui a todos os jogos da 3ª divisão todo orgulhoso. Será que estou ficando velho? Papo furado... meu pai é o maior torcedor do Fluminense que eu conheço e a coluna dele consegue ser pior do que a minha. E então, por que estou tão mudado?
E foi depois dessa longa auto análise que cheguei a essa terrível conclusão: Eu não mudei. Quem mudou foi o futebol. É isso aí! Não venham jogar a culpa em cima de mim! Continuo completamente apaixonado pelo Fluminense, por tudo o que ele representa na minha vida e suas cores correm nas minhas veias. Quem mudou foi o FUTEBOL.

A verdade é que sempre fui muito mal acostumado. Fui apresentado ao Maracanã nos fins dos anos 70. Tenho algumas pequenas lembranças da Máquina. Não por acompanhar o time, até porque tinha apenas 6 anos, mas pelo simples fato de eu ficar maravilhado com o cara vestido de astronauta, que vendia espuma de coca-cola nas arquibancadas, enquanto meu pai gritava: Claudio, olha o Rivellino! Claudio, olha o Rivellino! E eu só queria saber da tal espuma. Que desperdício.

Mesmo sem entender nada, foi um senhor batismo. Comecei a me interessar mesmo por futebol em 80, onde eu chorava para meu pai me buscar, ainda em Ipanema, para me levar ao Maraca. E ganhei de presente o título estadual, com direito a gol do Edinho. Meu ídolo na ocasião. Ali foi selado de vez meu caso de amor com o Fluminense.

Nesta época tudo era mais romântico. A torcida era outra, o modo de torcer era diferente. Não existiam bandeiras de torcidas organizadas como temos hoje, com desenhos de caveiras e monstros. O Maracanã ficava repleto de bandeirinhas, dos torcedores ¿avulsos¿ mesmo. Torcedores que quase não encontramos mais nos estádios. A festa era muito mais bonita. Logo após veio o supertime do Flamengo, com Zico, Adílio e cia ltda. O Vasco tinha Roberto Dinamite, Zanata, Guina... A rivalidade era outra. Até existiam brigas de torcida, mas nada de tiros, bombas e foices. Me lembro até do meu primo, na época presidente da Força Jovem do Vasco, pedindo sobras de papel para organizar uma festa mais bonita que a da torcida do Flamengo, na final de 1981. O famoso jogo do ladrilheiro. A preocupação era essa. Até as músicas eram outras. Quem se lembra do: "ô ô ô ô, se o Zico é craque, foi o Roberto que ensinou!"? Hoje chega a ser engraçado.

O Fluminense não tinha um ídolo como o Zico ou Roberto, por exemplo. Se não me engano, o ídolo do Botafogo nesta época era o Mendonça. Nosso ídolo era o Edinho. Não podíamos comparar, pois ele era zagueiro e não entreva naquela disputa pela artilharia. Mas eu nem queria saber, tanto que tive uma crise de choro quando soube que ele estava sendo vendido para o Udinese.

E eu acho que esse é o maior problema de hoje. Não temos mais ídolos. Não temos mais jogadores identificados com o clube, com a torcida. Aliás, os jogadores nem são mais dos clubes. São de empresários, de times estrangeiros, sei lá de quem. Rogério Ceni? Marcão? Isso é piada perto de Castilho, Nilton Santos, Zico ou Roberto. E estou longe de ser saudosista.

Eu apenas sinto falta de ter por quem torcer. Talvez seja esse o motivo do meu desinteresse. Vou torcer por quem? Pelo Marcelo? O jogador do Real Madrid ou do Lyon? Pelo Pet? Que brincadeira de mau gosto. Chega a ser piada. Vocês se lembram quando aparecia a foto dos jogadores no placar eletrônico do Maracanã? Pois é... Hoje em dia, se aparecesse o Romário no placar, por exemplo, eu não saberia qual time ele estaria representando.

Repito, esse desabafo pode até ser choro depois de uma derrota inesperada (ou esperada), e eu venha a dar volta olímpica quando vencermos duas ou três seguidas, mas qual é o compromisso que esses jogadores de aluguel podem ter com o clube? De quem eu vou cobrar caso o Fluminense caia novamente? Eles estarão em outros clubes mesmo. E mais, e na comemoração do nosso próximo título? Poderei tirar onda se o nosso centroavante fizer o gol da vitória sobre o Flamengo, aos 45 minutos do segundo tempo? E se ele, no ano seguinte, fizer a mesma coisa contra nós? Pior, com direito a dança do "tô maluco". Hoje em dia tudo é possível, infelizmente.

Sem contar que, no mundo de hoje, não podemos perder tempo com lamentações e muito menos com a tristeza da torcida. O tempo voa e a propaganda do desodorante não pode esperar.

Eu bem que poderia estar aqui escrevendo sobre o tricampeonato estadual do Zé Lingüiça, Marquinhos para os íntimos, esse sim o meu ídolo no Fluminense. Poderia também falar das belíssimas campanhas de Reynaldo, tanto no brasileiro quanto no estadual, e de Alessandro e Marcell, mas confesso que não estou muito inspirado. Mas fica aqui o registro e pedido de desculpas. Se tivéssemos no futebol 10% da determinação que Marquinhos teve para buscar o título deste ano, tenho certeza que não estaríamos nesta situação de hoje.

Vou deixar aqui um apelo: Me convençam que o futebol continua lindo e que estou apenas sofrendo de um baixo astral temporário. Mas já adianto que não fui acostumado a torcer por times e jogadores de aluguel. Só sei que as aparências não me enganam, não.

E pra não dizer que não falei das flores...

Só para não passar em branco, chegamos na reta final da Taça Orlando Pingo de Ouro (bons tempos!) e os confrontos da fase final já estão definidos:

Marcell x Rafael
Marquinhos x William
Alessandro x Reynaldo
Oswaldo x Felipe

É Odracir, o crime realmente não compensa.

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