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bate papo:
Quinta-feira, Outubro 30, 2008
Posted
11:18 AM
by Marquês de Pombal, o Pombo.
MEMOFUT No último domingo, tivemos fortes emoções em nosso país. Mas, desta vez a festa não foi realizada em nossos estádios e sim nas ruas. Com a festa da democracia, a rodada do Brasileirão, que cada vez mais pega fogo, encerrou-se no sábado. E um dos destaques da rodada seria o Fluminense, liquidando o poderoso Palmeiras em apenas quarenta e cinco minutos. Mas a principal atração da semana seria mesmo as disputas eleitorais do domingo. E no Rio de Janeiro, sob um sol escaldante tipicamente carioca, travaria-se a disputa mais acirrada de todas. Um batalha intensa, árdua, digna de um grande público em clássico no Maracanã. As duas torcidas confiavam na vitória, porém ambas respeitavam muito o adversário e eram poucos os que faziam algum prognóstico. O clima de ansiedade e tensão no ar era geral. Fernando Gabeira (torcedor do Flamengo) e Eduardo Paes (torcedor do Vasco da Gama) eram os craques da peleja que já se anunciava como histórica. Gabeira, um jogador mais técnico, habilidoso, experiente, conhecedor de todos os recantos do gramado e que conseguiu como nunca empolgar a sua torcida apaixonada. Paes, um jogador bem mais jovem, esforçado, raçudo e aplicado as funções táticas de seu treinador, Sérgio Cabral. O jogo foi sempre muito disputado, apesar de Gabeira fazer algumas reclamações com o juiz da partida sobre possíveis cotoveladas do adversário. Mas, isto fazia parte da experiência do grande craque, que como anunciara antes, este "era o jogo da sua vida". Já Eduardo Paes, não tão brilhante quanto seu contendor, mas também um jogador técnico e habilidoso, também empolgava sua fiel torcida. Ao apito final do juiz, com a vitória de Eduardo Paes, abatido pela derrota Gabeira declararia a imprensa: "Foi apenas uma partida disputada lindamente e perdida no último minuto". Já Eduardo Paes, só soltou o grito da vitória entalado na garganta, após a confirmação do final da partida pelo juiz. Logo a seguir Eduardo Paes cercado por seus eufóricos torcedores diria: "Dedico esta vitória ao Sérgio Cabral (treinador) e ao Lula (presidente)". A disputa apertada demonstrava o bom nível dos jogadores. Suas táticas de jogo, em certos momentos, eram muito parecidas. Os dois, Gabeira e Eduardo Paes, são possuidores de bom caráter e de nada que desabone as suas carreiras. O campeão, terá que administrar bem o título que conquistou com muita justiça. E ao vice-campeão, restará se preparar novamente para novas disputas, pois faltou muito pouco para a conquista do título. Quem ganhou com isso foi o público do Rio de Janeiro. Mas, não só de eleição vivemos na semana passada no Rio de Janeiro. Na quinta-feira, dia 23 de outubro, realizou-se na ABI (Associação Brasileira de Imprensa) a fundação da seção Rio do Grupo de Literatura e Memória do Futebol (MEMOFUT), que reune autores, jornalistas e pesquisadores do esporte. Durante o evento, o Memofut carioca homenageou os 75 anos do craque Garrincha. Dentre os presentes, destacavam-se Jorge Veira (treinador do América Futebol Clube campeão carioca de 1960) e o jornalista e escritor Roberto Porto. Após os debates foi exibido o filme "1958 - O ano em que o mundo descobriu o Brasil", com a presença do Diretor José Carlos Asbeg. O Memofut é um grupo informal de interessados em preservar a literatura e a memória do futebol. Promover a cultura do futebol também está entre os seus objetivos. Para isto desenvolverá atividades como: intercambiar informações, como lançamentos de novos livros e eventos que tenham como tema a cultura do futebol; editar cópias restritas (não-comercial) de livros esgotados; realizar palestras e cursos; realizar exposições de livros, documentos e artigos históricos do futebol; resgatar a memória e reconhecimento dos grandes ídolos. Há tempos compreendo a importância de nosso futebol como elemento de fundamental importância de nossa cultura nacional e como uma das principais formas de projeção de nosso país no exterior. Movido por esta paixão e uma energia militante, dediquei-me a realização de um trabalho que está em fase final, sobre a vida de um dos grandes heróis do futebol brasileiro, "Vavá - O Leão da Copa". Vavá, que foi de enorme importância nas conquistas do Brasil nas copas do mundo de 1958 e 1962, como vários outros jogadores de sua geração, tem suas histórias praticamente ignoradas pelas gerações mais novas. Jogador técnico e de uma raça indescrítivel, Vavá nunca disse: "Eu sou o cara"! Mas, Vavá até hoje está entre os jogadores que mais fez gols em finais de copa do mundo. São três no total. Dois gols na final de 1958, contra a Suécia e um na final de 1962, contra a Thecoslováquia. Vavá no Brasil, jogou, lutou e honrou as camisas do Sport Club Recife, Clube de Regatas Vasco da Gama, Sociedade Esportiva Palmeiras e Associação Atlética Portuguesa. Após a conclusão de "Vavá - O Leão da Copa", pretendo aprofundar-me em um trabalho dedicado ao Fluminense Football Club. Com toda certeza, não me faltarão histórias e personagens riquíssimos para tal empreitada. Resgatarmos nossas histórias é revivermos nosso passado glorioso, nossas tradições, nossa cultura e acima de tudo nosso país. Gastamos em nossas vidas muita energia com coisas desnecessárias, quando poderíamos estar trabalhando em coisas mais positivas para o crescimento cultural e econômico do Brasil. Independetemente de nossa paixão clubística (ou partidária), temos que criar "uma nova forma de torcer", com civilidade, onde nossos adversários não sejam vistos como inimigos. E sim, só como são: adversários. Até porque, o derrotado de hoje é o vitorioso de amanhã! EDUARDO COELHO PROFESSOR DE HISTÓRIA E AMBIENTALISTA
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