| Fluteblog |
|
bate papo:
Domingo, Novembro 30, 2008
Posted
11:52 AM
by Marquês de Pombal, o Pombo.
TEMPOS IDOS Está programada para o dia 30 de novembro de 2008, a partida entre Fluminense e São Paulo. Ambos almejam interesses distintos na peleja. Faltando duas rodadas para o término do Brasileirão, o Fluminense precisa de apenas mais um ponto para assegurar sua permanência na elite do futebol pentacampeão mundial. Já o São Paulo quer uma vitória em seu estádio para conquistar por antecipação o título de tricampeão brasileiro consecutivamente e hexacampeão alternadamente. Mas, aproveitando a data de 30 de novembro, podemos relembrar em nossas memórias, um outro 30 de novembro. O de 1980. Nesta data, os torcedores do Fluminense Football Club viveriam situações de fortes emoções. Uma triste e uma feliz. Começo pela triste. Na dia 30 de novembro de 1980, a música po pular brasileira perderia um de seus maiores compositores e o samba, em especial, o seu maior nome: Cartola. Agenor de Oliveira, nasceu em 1908, na Rua Ferreira Viana, no bairro carioca do Catete. Aos onze anos, já morando na rua das Laranjeiras, nº 285, o menino Agenor de Oliveira gostava de espiar os treinos do fabuloso Fluminense Football Club de Marcos Carneiro de Mendonça, Vidal, Chico Netto, Machado, Mano, Zezé, Welfare e cia. Na ocasião, o menino Agenor começava a ser tricolor. Jogava umas peladas num terreno baldio perto do clube e assistia ao início da construção do estádio das Laranjeiras, com as carretas trazendo terra para as obras e trabalhando o dia inteiro. Nesta mesma época, o menino Agenor mudou-se para o morro da Mangueira. Contudo, a semente tricolor ficara plantada na sua alma e desde então jamais deixou de torcer pelo Fluminense. Alguns anos depois, o menino Agenor de Oliveira, o "Cartola", fundaria a Estação Primeira de Mangueira. No final de 1969, o presidente Francisco Laport reuniu toda a diretoria do Fluminense para homenagear Cartola com um almoço. Dentre os presentes estavam João Boueri, Preguinho, Silvio Vasconcelos, Ari Duboc e Paulo Coelho Netto. Visitaram todas as dependências do clube. O autor de "divina Dama" e "Tempos Idos" parou entusiasmado diante da Taça Olímpica e emocionou-se quando Preguinho contou-lhe que apenas poucos clubes no mundo possuem o troféu. Ao final de sua visita ao Fluminense, ainda na porta da sede, o presidente Francisco Laport disse ao ilustre visitante que voltasse quando quisesse e que bastava dizer ao porteiro: "eu sou o Cartola". Franscisco Laport ainda disse para Cartola: "O Fluminense que é seu o receberá de braços abertos". Logo após a contratação do craque Rivelino, o presidente Francisco Horta para incrementar a estréia do grande craque, que seria no sábado de carnaval de 1975 contra seu ex-clube, o Corinthians, resolveu solicitar a ajuda do mestre Cartola. Foi aí que Horta subiu o morro da Mangueira, o Palácio do Samba, e ao entrar na casa de Cartola e avistá-lo, disse: - Saudações Tricolores! E prontamente, Cartola respondia: - Saudações Tricolores! Francisco Horta precisava do auxílio de Cartola para um plano audacioso: o lançamento da Torcida Manga-Flu, com um desfile da Mangueira. Cartola aprovou a idéia e imediatamente convocou mestre Valdomiro, da bateria, que assegurou a Horta a aprticipação de seus 120 ritimistas. O desfile da Manga-Flu foi um sucesso. Mais de 70 mil tricolores foram assistir a estréia de Rivelino com milhares de bandeiras e fizeram uma grande festa. Fim de jogo, Fluminense 4 a 1 no Corinthians, com três gols de Rivelino. Francisco Horta, Rivelino e o Fluminense jamais esqueceriam da colaboração do mestre Cartola. Em 1976, a máquina do Dr. Horta atingia o seu apogeu junto com Cartola. Após o sucesso de seu primeiro disco, Cartola gravaria neste ano o seu segundo disco. Desta vez, trazia o grande sucesso "As rosas não falam". Cartola, um verdadeiro "lorde", se consagrou definitivamente e finalmente chegava ao coração do povo brasileiro. Neste período Cartola fez bastante televisão, ganhou prêmios e gravou discos. Até o dia 30 de novembro de 1980, quando o câncer lhe tirou a vida, aos 72 anos. E no funeral do sambista, na quadra da Mangueira, foi colocada uma bandeira do Fluminense em cima do caixão, que só seria retirada quando o caixão baixou à sepultura. O humaníssimo Cartola, como o Fluminense, virou imortal! Porém, neste mesmo dia 30 de novembro de 1980, os tricolores viveriam uma felicidade ímpar. Após o bicampeonato da máquina, o Fluminense voltava novamente a decidir um campeonato carioca. Novamente, o adversário a ser batido seria o Clube de Regatas Vasco da Gama. O Fluminense adquirira o di reito da disputa, por ter vencido o próprio Vasco no primeiro turno, numa vitória por 4 a 1 nos pênaltis. E o Vasco, vencera o segundo turno. A equipe tricolor começou o campeonato com a torcida ressabiada. Nos anos anteriores, eram comuns os protestos da torcida diante da suntuosa sede de Álvaro Chaves, ameaçando um dos orgulhos tricolores, os vitrais franceses. Mas durante o campeonato a equipe dirigida por Nelsinho, apresentando um futebol alegre e de bom nível, foi conquistando a confiança dos tricolores. Na partida finalíssima, o Fluminense foi para o campo absolutamente convicto da vitória. Como quase todo jogo de decisão, a partida não foi lá essas coisas. Apenas, no segundo tempo, Nelsinho mandou sua equipe com a exibição da verdadeira face: a do ataque. Já Paulo Goulart, entrou e saiu com seu uniforme intocado e imaculado. Aos 22 minutos do segundo tempo, convocado a cobrar uma falta na altura do bico e squerdo da área vascaína, Edinho o fez com violência, pegando com a face interna do pé direito. A bola ultrapassou a insuficiente barreira, quicou a um metro de Mazaropi e, traindo-lhe o reflexo, resvalou violentamente em seu braço, foi ter à trave direita e entrou, configurando o gol que daria o título carioca de 1980 ao Fluminense. Edinho encarnava o espírito vencedor tricolor. Era a vitória do futebol ofensivo tricolor destruindo a retranca ultrapassada do técnico Zagallo. Ao final da partida, o delírio tricolor era total. A música mais entoada naquele dia era a do papa: "A Benção João de Deus..." Paulo Goulart, Edevaldo, Tadeu, Edinho, Rubens Gálaxe, Delei, Gilberto, Mário, Mário Jorge (Robertinho estava contundido), Cláudio Adão e Zezé, confraternizavam-se no gramado durante a volta olímpica e agitavam a torcida tricolor que lotara a sua parte das arquibancadas do Maracanã. Muitos ilustres tricolores, como Telê Santana, Carlo s Alberto Torres, Chico Buarque de Holanda, dentre outros, exultavam de alegria nas tribunas. Nos últimos anos, tornou-se moda referir-se ao São Paulo Futebol Clube como clube padrão a ser seguido. Inegavelmente, o São Paulo é um clube que possui muita organização, bem estruturado, e que oferece excelentes condições de trabalho ao seu plantel. O São Paulo, com Cícero Pompeu de Toledo lançou a pedra fundamental do estádio do Morumbi em 1952. Em janeiro de 1960, foi realizada a primeira festa de inauguração. Em janeiro de 1970, 18 anos depois, o clube inaugurava o restante de sua arquibancada. Tal sacrifício, proporcionou ao clube, neste período, apenas os títulos paulistas de 1953, 1957 e 1970. Já o Fluminense Football Club, seus associados, seus torcedores, precisam conhecer mais sua própria história. Uma história construída por empreendedores, desportistas idealistas e apaixonados por seu clube. Logicamente, que b ons exemplos devem ser observados, mas a história do Fluminense é que deve ser adequada à contemporaneidade. No momento em que todos no clube se imbuírem do espírito vencedor tricolor, elevando o nível dos debates e trabalhos para o clube, sabendo separar o joio do trigo, excluindo os parasitas oportunistas, voltaremos a ser o modelo de clube padrão em nosso país. Não me refiro a grupos de situação ou oposição e sim as pessoas, que estão por todos os lados. E como "o mundo é um moinho", parafraseio o imortal tricolor Nelson Rodrigues: "Se quereis saber o futuro do Fluminense, olhai para o seu passado. A história tricolor traduz a predestinação para a glória". EDUARDO COELHO PROFESSOR DE HISTÓRIA E AMBIENTALISTA
|